
Ela: Sinto que isto está no limite.
Ele: Em função de quê?
Ela: Das tuas derivadas.
Ele: Isso é imaginação tua.
Ela: Ainda tens a lata de me dizeres isso?
Ele: Julgas-te uma pessoal integral, não!?
Ela: Não venhas com essa, sabes bem do que estou a falar: da grandeza da tuas traições.
Ele: É enorme a percentagem de vezes com que me atiras isso à cara.
Ela: Sê racional. Essas tuas amiguinhas tornaram-se num máximo divisor comum.
Ele: A raiz de isto tudo, é que tu agora estás a ficar quadrada.
Ela: Depende do prisma pelo qual vês as coisas.
Ele: Antes, havia uma simetria perfeita entre nós.
Ela: Mas, entretanto, introduziste novos vetores na nossa relação; ou tens dúvidas disso?
Ele: O problema todo, foi a translação que a tua cabeça tem vindo a sofrer.
Ela: E tu? Atingiste a potência máxima da mentira.
Ele: É o que digo: estás a tornar-te num radical quadrático.
Ela: Vê lá o que dizes. Estás a reduzir-me ao primeiro quadrante.
Ele: A equação deste nosso problema é simples: Passaste uma tangente à minha indignação.
Ela: Deixa-te de homotetias, pá.
Ele: Não vejo qual é a correlação entre uma variável e a outra.
Ela: Já me estás a irritar, meu cabeça de poliedro!
Ele: Dobra a língua, e não inventes axiomas foleiros.
Ela: Tu nem sabes o que é um axioma...
Ele: Mete a tua lógica no ...
Ela: És tão ordinário.
Ele: Eu?
Ela: Sim, tu, nomeadamente, depois de te teres metido em arranjos e combinações.
Ele: Continuo na minha: transformaste-te numa equação biquadrada. Que mal tem ir tomar um café com as minhas colegas?
Ela: Tu és uma autêntica regressão, não haja dúvida. A probabilidade deste inferno acabar é enorme.
Ele: Porquê, inferno?
Ela: Sim, foi no que tu transformaste a nossa relação. O teu padrão, é o desvio. Deixaste de ter sensibilidade e fidelidade. Isto já não tem validade.
Ele: O que tu precisas é de fazer o teste do Qui-Quadrado.
Ela: Vai-te lixar.
Ele: Analisa bem os fatores e vê se detetas a variância do teu humor.
Ela: Não faças análises discriminantes, meu m….s!
Ele: Tu estás claramente em regressão linear e nem dás conta disso.
Ela: Tens a língua comprida; precisavas de um pouco mais de curtose nessa boca.
Ele: Isto já não é uma relação binária. Sabes o que eu te digo? Tu mais eu, não dá resultado dois. Esta conta dá menos um.
Ela: Que m…a de lógica é essa?
Ele: És uma hipérbole, não passas disso.
Ela: E tu, uma assíntota. Nunca chegaste a tocar o meu coração.
Ele: Ah sim!? Estás a majorar o problema.
Ela: Isto tem sido uma sucessão de erros absolutos.
Ele: A tua estupidez cresce em progressão geométrica.
Ela: E a tua malvadez é infinitésima, meu canalha.
Ele: Bom, vamos acalmar-nos, e tentar alcançar a primitiva da função.
Ela: Acho muito difícil, porque a sucessão é monótona.
Ele: Faz um esforço, vá lá. Tu sabes bem que há uma interseção entre os nossos planos. Abandona o erro da diferença.
Ela: O.K. mas promete-me uma coisa:
Ele: O quê?
Ela: Que tu serás o Corpo R, ordenado e completo.
Ele: Prometo, mas tens de me prometer, também, uma coisa.
Ela: Diz lá.
Ele: Que passe a haver uma dependência linear entre nós. Isso é uma determinante.
Ela: Combinado. Dá cá uma beijoca.
